fev 14 2009

Universo de Sonhos

Tati Carvalheiro

jORNAL wEB pSiCoLoGiA - aNO 1 - 2009 - PoR tAtI cArVaLhEiRo.

Inconsciente coletivo, alma, alquimia, anima, animus, arquétipo, associação, consciência, experiência, extroversão, imagem de Deus, individuação, inflação, introversão, mana, mandala, neurose, luminoso, persona, psicoide, self, sincronicidade, sombra, sonho.

A máteria de hoje, sobre o grande homem e psicólogo Carl Gustav Jung, tem o desejo de fazer os leitores deste blog/jornal conhecerem um pouco de sua trajetória:

Carl Gustav Jung nasceu em 26 de julho de 1875, na aldeia de Kesswill, na região nordeste da Suíça. Tornou-se o único filho de Johann Paul Achilles Jung e de Emilie Preiswerk, pois seus outros dois irmãos morreram muito cedo. Sua mãe adoeceu ainda na infância o que levou Jung a morar com uma tia idosa que cuidou dele durante algum tempo. Quando criança passava muito tempo criando jogos e brincando sempre sozinho, buscando refúgio no sóton de sua casa, onde guardava um manequim por ele confeccionado que servia como amigo “imaginário”. Ao completar 11 anos mudou de escola, estudando na cidade de Basiléia onde se deparou com uma riqueza imensa, condições financeiras muito diferentes de sua realidade, o que o levou a um comportamento diferente na escola. Não se adaptou ao que lhe fora apresentado, deixando de lado os ensinamentos ali praticados para se dedicar a próprias leituras que julgava mais interessante.

Após algum tempo, a partir da escuta de uma conversa de seu pai com um amigo, que falava sobre seu filho, sobre seu comportamento e a possível doença incurável demostrando muita tristeza, alguma coisa o fez ressurgir, mudar suas ações e voltar a se dedicar ao que era apresentado pela escola.

Aos 16 anos seu interesse por filosofia foi ficando mais aguçado, ele ia deixando de ser uma pessoa retraída, para ser tornar mais comunicativo, confiante, sendo também muito dedicado e adquirindo conhecimentos de maneira mais veloz que os outros alunos de sua sala, atingindo então imenso destaque.

Jung teve muita dificuldade nas escolhas profissionais, completou o curso de anatomia, mais foi a psiquiatria que escolheu para trabalhar, mesmo a contragosto de seus professores.

Os fenômenos ocultos, sempre foram por ele experimentados  lhe causando muita curiosidade por estes estudos.

Em 1900 assumiu o cargo de profissional assistente do Hospital de Burgholzli, em Zurique, para onde seu mudou, trabalhou com Bleurer, criou um laboratório de pesquisas, onde utilizou o teste da associação de palavras.

Em 1907, recebeu um convite para visitar Freud, de quem se tornou amigo intimo, a quem Freud se dirigia como filho mais velho adotivo, príncipe herdeiro, porém para Jung estes títulos não agradavam totalmente, ele queria levar sua própria teoria a diante.

O rompimento com Freud se deu ao que tudo indica, pela divergência em algum ponto de suas teorias, como sexualidade, libido, a criação do inconsciente coletivo, os arquétipos entre outras diferenças.

Sua atração por religião e mitologia lhe rendeu belíssimas viagens, pela África, Deserto do Saara, Novo México e Índia.

A grande diferença deste homem está em seu comportamento perante a ciência, mesmo ao pesquisar sob o viés da psicologia, ele se aventurou pelo universo da astrologia, adivinhação, telepatia, clarividência, ioga, espiritualismo, mediunidade, simbolismos religiosos, visões e sonhos!

Cronologia

1895/1900 - Estuda ciências naturais e depois medicina na Universidade de Basiléia, concentrando-se no campo da psiquiatria.

1900 - Completa os estudos de medicina - assume o cargo de assistente de Eugen Bleuler no Hospital Burgholzli (Clínica Psiquiátrica da Universidade de Zurique).

1903 - Casa-se com Emma Rauschenbach (1882-1955). Juntos tiveram cinco filhos: Agathe, Gret, Franz, Marianne e Helene.

1904 - Organiza um laboratório experimental sobre associações verbais com Franz Riklin, que leva à descoberta dos complexos.

1905 - Torna-se professor de psiquiatria da Universidade de Zurique até 1913. Torna-se vice-diretor do Hospital Burgholzli.

1906 - Publicação de “Estudos diagnósticos sobre as associações”, que envia para Freud.

1907 - Em março primeiro encontro pessoal com Freud, em Viena, amizade que perdura até 1913.

1909 - Viaja com Freud à América, para realização de palestras na Universidade de Clark, em Massachusetts.

1910 - Fundação da Associação Psicanalítica internacional, Jung é nomeado seu primeiro presidente, cargo que ocupa entre 1910 e 1914.

1912 - Publicação de “Metamorfoses e símbolos da libido”, onde apresenta o conceito de energia psíquica e a natureza mito-poético da psique.

1916 - Fundação do Clube de Psicologia de Zurique1920 - Viagem à Argélia e à Tunísia. Publicação de “Tipos psicológicos”.

1923 - Inicia a construção da torre de sua casa em Bollingen.

1924/25 - Visita aos índios pueblo no Novo México e no Arizona (EUA).

1934 - Começam suas pesquisas sobre alquimia. Busca de prefigurações históricas ao conceito de processo de individuação.

1938 - Viagem à Índia, para o Congresso de Ciência Indiano. Recebe doutorados honorários de diversas universidades: da Índia, da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Suíça e de Londres

1948 - Fundação do Instituto C. G. Jung, em Zurique.

1952 - Publica suas obras sobre “Sincronicidade”, algumas escritas em parceria com o físico Wolfgang Pauli.

1961 - Falece em sua casa, no dia 6 de junho, aos 86 anos.

Fontes:

Livro: Introdução à Psicologia Junguiana - Hall, Calvin Springer, 1909-1985.

Site: http://www.arches.psc.br/

Para saber mais clik no blog de Psicologia criado pelos alunos da Faculdade Guilherme Guimbala, Francisco Maiochi e Tatiane Carvalheiro http://francisco.gmaiochi.com.br/


nov 20 2008

A psicologia e a Arte

Francisco Maiochi

Este é o post inicial do blog, e nada mais justo que começar unindo os dois grandes temas que vão estar aqui. Arte de todos os tipos e olhares psicológicos sobre o mundo.

A discussão de hoje se inicia numa aula de Personalidade 2, com a professora Jossiele Fighera, estudando Carl Rogers, e sua terapia focada no cliente. Rogers colocou, num dos textos dele, que existem três atributos básicos para ser um bom terapeuta: a aceitação incondicional do cliente, a empatia e a congruência. Demosntrou que essas características estão presentes na maioria das linhas terapêuticas, portanto, a base da relação terapêutica, muito mais que qualquer técnica em específico.

A aceitação deve ser incondicional para que o cliente se sinta livre para falar, sem reprimendas, sobre qualquer assunto que lhe interesse. Deve sentir que não é julgado, que suas decisões são suas e são apoiadas, e que não será rejeitado por expressar seus sentimentos.

A empatia é a capacidade de se colocar no lugar do cliente, ver por seus olhos. Não há como aceitar a posição do paciente se a situação dele nos é estranha. Deve-se buscar um pensamento parecido com a seguinte citação de Terêncio, tirada do livro “Os Desafios da Terapia”, de Yalom: “Sou humano, e nada do que é humano me é estranho”. Neste mesmo capítulo há uma história interessante para ilustrar este ponto, quem sabe eu a conte mais tarde.

Por fim há a congruência, transparência. É o ser sincero, prestar atenção em seus sentimentos,  tanto como informação relevante à pratica terapêutica, quanto como ferramenta para a própria terapia. No livro acima há um foco neste uso. O relacionamento cliente/terapeuta tende a se estruturar de uma forma semelhante aos relacionamentos do cliente fora da terapia, e esse dado é relevante. Se o cliente torra o seu saco, provavelmente ele torra o das outras pessoas que ele conhece, e isso é um assunto a ser tratado em terapia. :)

Mas até agora não falei nada de arte. Na aula seguinte nós assistimos um filme, do Rogers trantando uma voluntária. E aquilo me impressionou, muito. E me lembrou arte. Explico. Quando se é um artista, saber pintar (ou esculpir) é muito importante. Não há boas obras de arte sem um grande domínio de uma técnica, mesmo que seja uma técnica simples. Mas não é o domínio da técnica que define o artista. É a sua sensibilidade, sua capacidade de expressar a sua humanidade em algo que ele produz. E neste sentido, eu passei a ver o terapeuta como um artista. O domínio da técnica possibilita, mas não define o trabalho de terapia.

Isso vai contra o que Rogers diz, claro. O terapeuta, segundo ele, não poderia nunca considerar a terapia como sua obra, uma criação, pois não é efetivamente criada pelo terapeuta, e sim pelo cliente, e facilitada pelo terapeuta. Este assume então o papel de ferramenta, de facilitador de uma tarefa já possível de ser feita, como a técnica para quem já tem a sensibilidade.

O artista então é o cliente. No entanto, por mais que haja sensibilidade por parte do cliente, sem boas ferramentas, sem uma boa técnica, não há como transpor esta sensibilidade para o mundo real. A “qualidade” desta ferramenta importa, então? Segundo Rogers, basta que tenhamos aqueles três itens bem claros para o nosso cliente, mas fazer isso, como eu ví no vídeo dele, não parece nada fácil. Me parece preciso mais do que empregar uma técnica, mas uma crença nela, um conjunto psiquico interno que seja corerente com esta técnica, ou seja, um melhoramento de sí, nestes três campos, mesmo na vida pessoal. Que é importante ser mudado por estes conhecimentos, afinal, nós somos nossa maior ferramenta durante a prática, portanto, devemos cuidá-la e aperfeiçoá-la ao máximo.

Será mesmo? Em uma revista Super Interessante de alguns meses atrás há uma matéria que cita uma pesquisa, dizendo que a “qualidade” do psicólogo pouco influi no tratamento. O que vocês pensam da questão?